Porque as mães sentem tanta culpa?

Desde que me iniciei na louca aventura da maternidade, comprovei o que todo mundo dizia: mãe sente culpa, muita. Mas porque as mães sentem tanta culpa?

 

Não sou estudiosa do comportamento humano, longe de mim querer fazer esta análise aqui. Mas queria escrever sobre isso, pra tentar enxergar, nas entrelinhas do meu próprio texto, a razão da maternidade vir acompanhada (quase que obrigatoriamente) desta sombra pesada que é o sentimento de culpa. Mas tenho a sensação, agora iniciando estas palavras, que ao final do artigo ainda não terei encontrado a resposta para minha pergunta. Mas acho que vale a reflexão.

Talvez este sentimento esteja um pouco relacionado à uma questão biológica mesmo. É a mãe que gera o bebê em seu ventre, é da alimentação dela que o bebê nutre-se durante a gestação, consequentemente, seria culpa dela se algo acontecer com o feto se ela se descuidar na gravidez. A culpa viria, então, desde a barriga.

Mas então a mãe adotiva não se sente culpada?! Tenho certeza que sim! Então o fantasma da culpa entra numa outra esfera, talvez decorrente da própria dinâmica sóciocultural. Digo isso porque, geralmente, eu me sinto culpada pelo que as pessoas pensariam de mim em determinada situação. Por exemplo, se eu deixar meu filho em casa com o pai pra sair com as amigas, dentro da minha cabeça vou achar que as pessoas não me veriam como boa mãe, por escolher sair pra “gandaia” do que ficar cuidando do filho em casa. (Alerta de machismo impregnado no meu ser).

Se a mãe deixa o emprego pra cuidar do filho, sente-se culpada de mimá-lo demais. Se a criança fica o dia inteiro na creche, culpa-se por deixá-lo com estranhos que não vão cuidar como ela cuidaria.

Acho que a culpa vem também da sensação que sempre podemos fazer ainda mais e melhor pelos nossos filhos, e quando não conseguimos… vem frustração, seguida de CULPA.

Até agora não devo ter falado nenhuma novidade. Mas acho que já que estamos sentindo tanta culpa, precisamos FALAR mais sobre esse sentimento que nos assola. Falar pode nos fazer refletir. Será que é tão monstruoso querer ficar ficar sozinha um pouco, longe de casa e dos filhos? Isso me faz uma mãe ruim? Preciso mesmo me sentir culpada? É preciso me sentir tão culpada assim cada vez que cometo um erro? A gente erra, claro. Mas erra tentando acertar!

Biologia, sociedade, frustração… achar que é perfeita, e descobrir que não é. Querer ser modelo, exemplo. Estes devem ser os ingredientes principais da receita diabólica da culpa. E acho que saber reconhecer cada uma delas, aceitá-las, refletir sobre isso tudo, pode ajudar a minimizar um pouco a coisa. Não sei se tem cura essa culpa de mãe, eu ainda não consegui sarar desse mal. Mas vou tentando.

Só estou curiosa com uma coisinha: pai também sente culpa assim? Papais de plantão, o que têm a dizer?

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